MARQUE O BOTAFOGO-PB NA TIMEMANIA

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domingo, 15 de março de 2015

PARECE QUE FOI ONTEM


Crônicas do Serpa

Crônicas do Serpa
Todos nós acordamos, naquele domingo, diferentes, pois enfim a data tinha chegado, era o dia nove de março de 1975, inauguração do Estádio José Américo de Almeida, o “Almeidão”. E para abrilhantar a inauguração da nossa maior praça de esporte, fora convidado o Botafogo de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro, para enfrentar o nosso Botafogo-PB.

Eu era adolescente, acostumado com o campinho da Graça, em Cruz das Armas, e o Olímpico do Boi Só, no Bairro dos Estados, nossos palcos esportivos até então. Naquela época, eu não havia frequentado os campos de futebol dos outros estados. Sentar no último batente da arquibancada do “Boi Só” já era uma coisa fantástica, em termos de altura e visão.

Mas o “Almeidão” seria outra coisa, não seria chamado de campo, e sim de estádio. Era o que nos faltava para podermos, como Recife, participar das competições nacionais patrocinadas pela antiga CBD, hoje CBF. Saímos de nossa casa, logo cedo, pois toda a cidade pretendia assistir àquela inauguração. Fui acompanhado dos meus irmãos Sebastião, Reynaldo e Giovanni, este último foi um dos maiores torcedores do Belo que eu tenho notícia. Em novembro passado, Deus o chamou de volta ao paraíso.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

EU QUERO A FEIJOADA DE ZEZA!


Crônicas do Serpa

Em mil novecentos e setenta e um, o nosso ponta esquerda Cícero Ferreira, um dos maiores jogadores que vestiram a camisa do Botafogo da Paraíba, tinha seu passe disputado pelos grandes clubes do Brasil; culminando com a sua venda ao maior celeiro de craques que o nosso país já possuiu. Isso mesmo, amigo leitor, Ferreira teve o seu passe negociado com o todo poderoso, Santos Futebol Clube.

Ferreira trocou Chico Matemático por Pelé, Fernando por Cejas, Lúcio Mauro por Carlos Alberto Torres, Odon por Clodoaldo, Valdeci Santana por Afonsinho.

Foi uma grande mudança na vida de Ferreira e uma das maiores negociações do nosso futebol paraibano. O nosso ponta esquerda passou a residir no maior estado do Brasil.

Seu futebol passou a ser exibido, nos maiores centros futebolísticos do país e do mundo, pois o Santos, do Rei Pelé, mensalmente era convidado a disputar os torneios internacionais que existiam na época.

A equipe vivia nos aeroportos do mundo; em hotéis luxuosos, disputando e ganhando troféus para o prestígio do futebol brasileiro. Os jogadores não ganhavam o dinheiro que se ganha hoje, mas tinham uma vida boa.

E o nosso Ferreira era tão bom com a camisa 11, que o técnico PEPE resolveu improvisar o grande ponteiro Edu, também ponta esquerda, com a camisa número 7,  conseguindo espaço para os dois craques.

Depois de um certo  tempo, Ferreira foi emprestado a um time do México, onde foi destaque e por último ao Marília do interior de São Paulo.

Agora, o que muita gente não sabe ou não lembra, é que antes de ser atleta do Santos, Ferreira teve uma experiência de oito meses no Cruzeiro de Minas Gerais.

Isso mesmo, leitor, ao lado de Tostão, Dirceu Lopes, Brito, Wilson Piazza, Natal, Zé Carlos e tantas outras feras que brilharam com a nossa camisa verde e amarela.

E foi na famosa Toca da Raposa das Minas Gerais, que o nosso craque foi protagonista de um dos causos mais engraçados do nosso pitoresco futebol.

Naquela época, o time do Cruzeiro já possuía profissionais em várias áreas para auxiliar o departamento de futebol profissional. O atleta era diariamente acompanhado por médicos, dentistas, preparadores físicos, psicólogos, etc.

Coisa que Ferreira não tinha no nosso futebol paraibano. Aliás, ainda hoje os times daqui se ressentem da falta de uma estrutura mais profissional.

Agora, o que Ferreira não aceitou e demorou muito a se adaptar foi quando o clube contratou uma tal de NUTRICIONISTA. Era uma mulher alta, bonita, esbelta, com quase um metro e setenta e cinco de altura. Cabelos pretos e escorridos.

Uma beldade para se apreciar. Ferreira até imaginava, dançar um forró pé de serra com ela. Mas a intenção dessa mulher era outra. Ela tinha chegado para fiscalizar a alimentação dos atletas. Diariamente ela submetia todo mundo a uma pesagem em uma balança, comparava com a altura, fazia uma equação matemática e ao final saia o veredito.

_ O senhor estar acima do peso!

_ Eu, madame? Respondeu timidamente o craque Ferreira.

_ Sim, o senhor!. Amanhã vou deixar por escrito na cozinha a sua nova alimentação, logo o senhor ficará com o peso ideal!

E foi aí que a vida do craque virou um inferno. Pela manhã, leite desnatado, uma fatia de pão integral, uma xícara de café e um pedaço pequeno de queijo branco.

Quando chegou na hora do almoço, Ferreira pensou que iria descontar aquele mísero desjejum. Ledo engano, colocaram à sua mesa, um prato raso, com um único bife magro, assado; duas colheres de arroz, branco; três rodelas de tomate e umas folhas de alface. Nenhum copo com ponche.

Ferreira comeu aquilo em um minuto. Foi na cozinha e pediu para repetir. Pediu feijão. Pediu farinha e cuscuz, nada foi lhe dado. O cozinheiro disse que tava cumprindo ordens da Nutricionista.

Ferreira, muito triste, recolheu-se ao seu quarto. Deitou-se, mas não conseguiu dormir. A sua barriga passou a roncar. A sua mente deu uma viajada no tempo, e veio em sua memória o caldeirão de feijão que era servido por ZEZA na concentração do olímpico, em João Pessoa.
Passou a ver os jogadores do Botafogo, todos sentados, com seus pratos fundos cheios de feijão: com bucho, mocotó, tripa, toucinho, pé de porco, linguiça e tudo mais.

Ao lado um farinheiro enorme. Uma cuscuzeira queimada com o tempo, porém cheia da tradicional comida de milho. Por último viu a mochila de pano com três dúzias de pão que eram comidos com um gelado ponche de maracujá bem doce.

Baixou uma enorme tristeza no nosso craque, que mecanicamente passou a jogar suas roupas em uma mala velha, pulou a janela da concentração e fugiu para o aeroporto.

Já na sala de embarque, o presidente do Cruzeiro chegou correndo e pediu para o craque retornar, alegando que ele teria um futuro brilhante pela frente. Que ele repensasse em sua decisão!

Ele pensou um pouco em seu futuro, sabia do seu potencial, e barganhou, com o dirigente.

-Eu fico, mas a tal da Nutricionista tem que rever aquela comida! Tudo bem que não pode ser a feijoada de ZEZA, mas aquele bife magro com alface eu não como nem amarrado!

Ao final, chegou-se a um meio termo, que agradou a gregos, troianos e a Ferreira!

A coluna agradece ao Auditor do TCE\PB, Dr. Ronaldo Amaral Modesto, por ter interagido conosco.


Francisco Di Lorenzo Serpa
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

ÍNDIO, DE CABEDELO PARA O MUNDO.


Crônicas do Serpa

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Ainda criança, Aluísio Francisco da Luz saiu da cidade de Cabedelo e foi morar no Rio de Janeiro, então capital do país. De família humilde, logo cedo começou a trabalhar na cidade maravilhosa. Naquela época, o nordestino que queria mudar sua situação financeira tinha que se transferir para o eixo Rio-São Paulo.

O divertimento daquele menino era jogar bola, nos campos da periferia da cidade, e logo surgiu o apelido de Índio, por causa de suas feições. E quando foi no ano de 1947, o nosso cabedelense iniciou a sua carreira profissional no Bangu Atlético Clube, onde se destacou por ser um atacante veloz, esperto e goleador. Dois anos depois o nosso artilheiro foi descoberto pelo Clube de Regatas Flamengo. No time rubro-negro jogou até o ano de 1957, participando de 202 jogos com o seu uniforme e escrevendo o seu nome como um dos grandes atacantes do Mengo. Ele fez parte do elenco e foi um de seus artilheiros  no festejado tricampeonato carioca nos anos de 53-54 e 55.

As seguidas conquistas com a camisa do Flamengo tornou o seu futebol conhecido em todo o país. Do Flamengo para a seleção brasileira foi questão de tempo, Índio vestiu a camisa da então CBD por dez vezes, marcando cinco gols com o uniforme canarinho, participando da copa do mundo realizada na suíça, em 1954, onde fomos desclassificados no tumultuado jogo contra o forte escrete da Hungria, que perdemos por quatro a dois. A glória do primeiro paraibano a integrar a seleção nacional veio nas eliminatórias da copa de 1958, quando marcou o gol do jogo contra a seleção do Peru, realizado na cidade de Lima, que terminou empatado e foi decisivo para a ida da nossa seleção para a Suécia.

Índio, ao deixar o Flamengo foi jogar no forte time do Corinthians Paulista, clube bastante privilegiado e de grande torcida, depois se transferiu para a Europa, onde disputou o campeonato Espanhol. Em 1965, o nosso craque pendurou as suas cobiçadas chuteiras vestindo a camisa do América do Rio de Janeiro.   Já aposentado e morando na cidade que o projetou para o mundo, o nosso artilheiro trabalhou, como instrutor, em um projeto no Instituto Brasileiro de Assistência ao Futebol (IAFB), com sede no Bairro da Pavuna.

Segundo o jornalista e desportista Ivan Bezerra, Aluísio Francisco da Luz, o Índio, pode ser considerado o primeiro grande craque paraibano, pois o mesmo jogou em grandes clubes do sul, como o Flamengo e o Corinthians, disputou eliminatórias e copa do mundo com a seleção brasileira e vestiu camisas de times da Europa.

Outros craques paraibanos surgiram e fizeram sucesso igual ou maior do que o nosso Índio, como Mazinho, estrela da cidade de Santa Rita, que também jogou no Rio de Janeiro e em São Paulo, na seleção brasileira e em grandes times da Europa. Este último disputou duas copas do mundo, a primeira como reserva, na segunda assumiu o lugar do craque Raí e sagrou-se campeão do mundo.

O que não se pode negar é que o grande artilheiro Aluísio Francisco da Luz, o nosso Índio, foi o precursor, digamos o porta estandarte a anunciar, que o Rei Pelé teria Ferreira jogando ao seu lado, que Zico iria comemorar vários gols abraçado a Júnior, que Roberto Dinamite e Romário iriam agradecer os passes de Mazinho e que o mundo iria conhecer o nosso incrível Hulk.


Francisco Di Lorenzo Serpa
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sábado, 17 de janeiro de 2015

UM TANGO ARGENTINO EM NOSSOS GRAMADOS!


Crônicas do Serpa

Imagem do Jornal A União - João Pessoa-PB.
Em uma iniciativa bastante arrojada para a época, o dinâmico e incentivador do nosso futebol José Américo Filho, então presidente do Botafogo da Paraíba, acertou a vinda do famoso time “Vélez Sarsfield”, da cidade de Buenos Aires, da Argentina, para disputar dois jogos amistosos na nossa capital, o primeiro contra o seu time de coração, o segundo contra o esquadrão do Treze Futebol Clube, da famosa Rainha da Borborema.

A delegação Argentina chegou em nossa capital no dia 11 de dezembro de 1951, trazendo um respeitável plantel, incluindo três craques que na época vestiam a famosa camisa da seleção daquele país, o goleiro Rugillo, Zubeldia  e Huss. O torcedor paraibano nem acreditava que poderia assistir esses consagrados atletas jogando aqui, no antigo e extinto campo do Cabo Branco, em Jaguaribe, foi uma semana de festas na capital.

O primeiro jogo do esquadrão Argentino, foi na noite de 13 de dezembro de 1951, contra o time do Botafogo, com muita festa e também com a inauguração de um pequeno lance de arquibancadas do velho e simpático campo, que recebeu um excelente público em todas as suas dependências. O primeiro tempo do amistoso internacional terminou com a vantagem dos visitantes por um placar de três tentos a zero, tamanho foi o domínio dos jogadores da Argentina. No segundo tempo, o time do Botafogo voltou com outro estilo de jogo, passando a ser bastante ofensivo e estufando as redes adversárias por duas vezes, uma por intermédio de Milton, outra através de Arquimedes. Na arbitragem trabalharam Cativa Tolosa, como árbitro central, auxiliado por Lourival Ribeiro e Aluízio Lyra. O Vélez venceu com Rugillo, Huss, e Allegri, Scrugil, Ruiz, Ovide, Napoli, Malogne, Russo, Zubeldia e Manzil. O Botafogo jogou com Borracha, Pádua, Letácio, Vavá, Berto e Tita, Geraldo, Arquimedes, Milton, Dega e Nóca.

No mesmo campo do Cabo Branco, três dias depois, 16-12-1951, o time do Vélez Sarsfield voltou a jogar, dessa vez contra o Treze Futebol Clube, que ficou com a obrigação de vencer e reabilitar o futebol paraibano. O time de Campina Grande chegou a vencer o primeiro tempo por dois tentos a um, porém os argentinos foram pra cima e o seu poderio técnico mais uma vez foi destaque conseguindo virar o jogo, que terminou com a vitória  deles por três tentos a dois. Nessa segunda partida, os ânimos foram acirrados, houve troca de pontapés, dois jogadores foram expulsos, um de cada time. Os visitantes jogaram com a mesma escalação da primeira partida, já o Treze entrou em campo com Harry Carey, Felix, Kleber, João Luiz, Walfrido, Edinho, Zé Pequeno, Milton, Mário Ruivo e Hercílio.

O meia-esquerda Zubeldia, do Vélez Sarsfield e da seleção Argentina, foi o destaque das duas partidas em nossos gramados, jogando com maestria e sendo o centro das atenções, dos torcedores e da imprensa.

Este artigo é dedicado ao polivalente Adenilson Maia, União, por sua enorme contribuição ao desporto paraibano e nacional.


Francisco Di Lorenzo Serpa
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

LIBERDADE FUTEBOL CLUBE.


Crônicas do Serpa

Crônicas do Serpa
O futebol possui uma capacidade enorme de unir pessoas, independente de classe social, credo, língua, religião, idade, sexo, etc. Há relatos que nos informam que determinados jogos serviram para paralisar guerras civis pelo mundo afora.

E dentro dessa visão, digamos humanitária, era comum times amadores da capital jogarem nas tardes de sábado dentro do então denominado Presídio Modelo do Roger. É, meu caro leitor, lá havia um timão denominado jocosamente de “Liberdade Futebol Clube”.

Isso mesmo, o time era formado por detentos que tinham habilidade com o maior e melhor esporte do mundo: o futebol. E realmente eles tinham um time quase imbatível que jogava  e treinava todas as semanas com bastante regularidade. Jogar naquele time dava status ao preso.

Lembro muito bem de três jogadores que se destacavam naquele time do presídio. Betão, um habilidoso lateral direito, que tinha passagem pelo Sport do Recife. Ferreira, meio campista que havia jogado no Auto Esporte Clube, e um goleador, centroavante apelidado de Macarrão.

Pois bem, era uma festa no presídio. O campo era gramado e com dimensões não oficiais, porém dava para se jogar com os respectivos onze jogadores. Os demais detentos cercavam o campo para assistir e torcer.

Os agentes penitenciários ficavam em locais estratégicos garantindo a ordem. A polícia militar nas guaritas e na parte externa. O diretor do estabelecimento prisional pessoalmente recebia o time visitante.

E foi naquele campo que a seleção – pega na rua -, do Bairro dos Expedicionários jogou e perdeu várias vezes. Um empate já era por nós considerado um excelente resultado. O conjunto, a pressão, e o juiz sempre ajudavam o time da casa.

E em uma bela tarde de sábado, no longínquo ano de 1979 o nosso time foi enfrentar o Liberdade Futebol Clube, com muita disposição e levando os melhores craques do bairro. Fomos com o intuito de obtermos a primeira vitória dentro das muralhas do Roger.

E conseguimos. Vencemos aquele jogo inesquecível pelo placar de 3 x 2, de virada, com três gols de Ricardo Papuda, que juntamente com Ricardo Cabaré e Chico Lacrau formaram o meio de campo.

A nossa defesa era composta por atletas experientes e viris, que resistiram à  pressão do time da casa . Alexandre Pai Vei era o nosso zagueiro central e junto com Naná, na lateral direita, baixaram o pau. Paulinho da Vaca e Dário doido completavam o sistema defensivo. No gol tinha Eduardo Macaco, goleiro do Cabo Branco.

No ataque tínhamos Vanni, Sérgio Rolex e Jaciro Mochila. Estes dois últimos jogaram no amador do Botafogo.

Agora, o que marcou muito aquele jogo, foram  as situações engraçadas que ocorreram dentro e fora das quatro linhas. A primeira foi quando o nosso lateral direito gritou para alertar um companheiro do nosso time:

  _ Cuidado, olha o ladrão! O atleta adversário não gostou, nem entendeu a frase bastante usada no futebol e levou para o lado pessoal.

_ ladrão é a PQP, respeite-me, eu sou assassino!

O segundo fato que nos chamou a atenção, foi quando os paraquedistas começaram a saltar dos aviões no aeroclube do Bessa, proporcionando uma vista bonita de dentro do presídio, pois naquela época o descampado era grande e não havia os prédios de hoje.

Mas teve um jogador do time dos presos que se irritou, dizendo logo em seguida. _ Esse fresco tá livre, no lugar de ir tomar  cana e pegar uma nega, vai arriscar a vida pulando de paraquedas. E por último completou: Era bom que o vento trouxesse ele para cair aqui dentro pra eu poder dar umas facadas em seu bucho.

Por último, a tarde começou a ir-se embora, e a noite foi-se chegando devagarinho e o juiz (que também era preso) não encerrava o jogo. A gente reclamava, mostrava que o tempo regulamentar já havia findado, e os descontos também.

Começamos a gritar como forma de protesto, chamando a atenção de um Agente Penitenciário, que por sua vez foi até a parte administrativa e avisou ao diretor, que desceu de seu gabinete, percorreu pelo pátio, entrou  em campo, tomou o apito das mãos do juiz, levantou os dois braços e soprou com toda força no apito, encerrando aquele jogo.

Fomos obrigados a deixar o presídio em fila, juntos com o Diretor e protegidos por forte escolta policial. Naquela tarde, encerramos uma invencibilidade de meses do famoso Liberdade Futebol Clube.


Francisco Di Lorenzo Serpa
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domingo, 14 de dezembro de 2014

O Belo e o Velho Mundo!


Crônicas do Serpa

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O nosso querido futebol paraibano tem muito que contar: fatos bonitos, derrotas desastrosas, jogos heroicos, históricos e também folclóricos. Como a própria sociedade o futebol tem suas mutações, aperfeiçoamentos, retrocessos e decepções.

E o nosso Botafogo Futebol Clube, com os seus mais de oitenta anos de existência vem ajudando a alimentar essa história, com as suas glórias e as suas derrotas, sendo as primeiras em maior número.

E foi justamente isso que ocorreu na década de oitenta do século passado, quando o Belo em uma decisão repentina e temerária aceitou realizar uma excursão ao continente europeu.  Digo temerária, em virtude do clube quando convidado estar no meio do campeonato paraibano e, como foi divulgado posteriormente, os empresários que procuraram o Belo não agiram com as devidas transparência e clareza.

Com muito jeitinho brasileiro e com o forte aval da CBF, o então presidente da FPF liberou o clube para viajar (um mês) e realizar os seus jogos no paraibano quando de seu retorno. Treze e Campinense protestaram muito, porém não conseguiram impedir a viajem.  Muitos dólares seriam trazidos do velho continente. Era a Paraíba representando o país na Europa.

E foi no dia 02 de agosto de 1984, que a delegação embarcou do aeroporto da cidade do Recife, em busca dos dólares prometidos. O presidente do clube Geraldo Carvalho acompanhado de meia dúzia de diretores, chefiou a delegação, que tinha Erandir Montenegro, como técnico e os seguintes jogadores: Pavão e Pedrinho, Walmir, Bitonho e Cleonaldo, Zito, Julival e Jaldo, Zé Alberto, Carioca e Carlos Roberto, Carlinhos Mocotó, Edinho, Rocha, Jorge Luiz e Mariano, Chinacão, como Massagista e o Dr. Roberto Correia Lima, Médico.

A nossa competente imprensa, foi representada por João Camurça (Rádio Tabajara) Roberto Machado (Rádio Arapuan) e Marcos de Luna Freire, que comentava os jogos.

 Nem tudo foram flores. Primeiro, venderam o time paraibano como se fosse o seu homônimo carioca, que era bastante conhecido lá fora. Segundo, os hotéis em que a delegação se hospedou não eram no nível que constava nos contratos, ao contrário, eram de terceira categoria. Por último, era um jogo atrás do outro, sem o devido e necessário descanso.

Foram dez partidas disputadas em gramados europeus, o Belo venceu 04 jogos, empatou três e foi derrotado em três, tendo as arbitragens, o cansaço e as dificuldades estruturais contribuído nas derrotas. Sem contar que enfrentamos times como os conhecidos Estrela Vermelha, da Iugoslávia, o Panathinaikos, da Grécia e o Dínamo de Zagred.

E quando o Belo resolveu retornar, encerrando aquela odisseia nos campos europeus, o avião Boeing DC 10 da TAP que já sobrevoava o oceano acima de 33 mil pés de altura, começou a enfrentar turbulências. Eram muitas as vibrações na aeronave, aumentando paulatinamente e amedrontando a todos, principalmente os marinheiros de primeira viagem. Foi quando o piloto avisou que havia uma pane, mas não se preocupassem que a aeronave já estava voltando a Lisboa.

Essa pane na aeronave tomou uma repercussão enorme, chegando a se propagar que o avião que trazia o Belo havia caído no oceano. Foi um Deus nos acuda, principalmente no viaduto Damásio Franca, local que concentrava vários desportistas da capital. Logo a notícia, para felicidade de todos foi retificada e no outro dia a delegação retornou para o Brasil, sendo recebida com festa na antiga churrascaria gauchinha.

Na volta o Botafogo recomeçou os seus jogos no campeonato paraibano, conquistou o segundo turno e sagrou-se campeão daquele ano. E para entregar-lhe as faixas de campeão, a diretoria surpreendeu a todos quando mandou buscar o Servett, campeão da Suíça. Realmente, o Belo tinha gostado dos dólares e dos times europeus.

Este artigo é dedicado aos valentes e dedicados jogadores que viajaram na excursão.


Francisco Di Lorenzo Serpa
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

UM PEQUENO GRANDE HOMEM.


Crônicas do Serpa

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Estávamos terminando o ano de 1975, os novos estádios já prontos e inaugurados em João Pessoa e em Campina Grande. A Paraíba com direito a participar do então campeonato brasileiro, sendo representada pelo Campinense Clube, que vinha ganhando quase todos os títulos do estadual.

E como se surgisse do nada, apareceu nas manchetes dos jornais da capital, um empresário paulista de pequena estatura física, de modos simples, chamado pelo nome de José Flávio Pinheiro de Lima, disposto a assumir a presidência do Botafogo Futebol Clube.

Esse industrial paulista  tinha instalado e era diretor presidente de uma fábrica de adesivos aqui na capital, denominada de Adesene, mas o mesmo gostava e respirava futebol vinte e quatro horas por dia.

Em seu rico currículo de desportista, constava que tinha jogado de meia esquerda, quando garoto. Sócio, conselheiro e fanático pelo São Paulo Futebol Clube, dirigiu as suas categorias de dente de leite e em seguida o importante departamento amador do tricolor do Morumbi.

Aliado a esse currículo, havia o empresário, o homem de visão e de muito tirocínio. Na verdade, ele estava anos luz a frente da nossa realidade e chegava justamente na hora da transição do nosso futebol, que há bem pouco tempo era jogado na Graça, na capital, e no Presidente Vargas, na Serra da Borborema, e também não disputava a cobiçada competição nacional.

E esse desportista, ao assumir a presidência do clube, formou uma diretoria sólida e harmônica, colocou salários e bichos em dia. Acertou em definitivo as transferências de Salvino, Nilton, João Carlos, Evandro, Nelson e Luisinho que tinham estourados a idade no Sport Clube do Recife e aqui estavam emprestados. Também regularizou a situação de jogadores como Baltazar, Fantick, Benício e outros atletas remanescentes do plantel.

Logo em seguida, veio a maior surpresa para a torcida botafoguense e a imprensa esportiva. José Flávio, usando de seu prestígio junto ao tricolor do Morumbi, começou a trazer para o Belo, jogadores que tinham estourado a idade na categoria de base, como Vinícius, Zé Luis, Lucas, Muller e Roberto Viana.

Também vieram jogadores do quadro profissional, como Zé Carlos, Piau, Perez e o excepcional Mauro Madureira, sendo este último denominado pela imprensa como o Deus negro da Maravilha do Contorno. Sendo ele, segundo a imprensa o maior e melhor atacante de todos os tempos do clube.

Foi uma revolução em nosso futebol, lotando os estádios da Paraíba, surgindo as belas e inofensivas torcidas organizadas, criando o hábito na mulher paraibana de frequentar o campo e torcer pelo seu time. Literalmente foi uma febre que contagiou a todos, velhos, crianças e mulheres, enfim a família passou a ir uniformizada assistir ao seu time de coração.

Os títulos passaram a ser conquistados, seguidamente; a torcida eufórica agradecia e prestigiava aquele presidente e sua respectiva diretoria, comparecendo em massa ao estádio, realizando passeatas, invadindo as cidades aonde o Belo jogava. Os bons resultados no campeonato nacional chamavam a atenção da imprensa do sul, gerando manchetes e comparações. O trânsito livre de José Flávio com a diretoria do São Paulo era enorme, intenso e exitoso. A crônica esportiva, em uma de suas comparações, comparou a coragem e esperteza de José Flávio, ao grande cartola Francisco Horta, que montou, na mesma época a inesquecível e imbatível “Máquina” no Fluminense carioca.

Claro que na vida tudo não se resume a flores. E no Botafogo isso não seria diferente, surgindo os descontentes, os invejosos, os do contra, os opositores, etc. Enfim, aqueles que não conseguem visualizar as virtudes, olhando e comentando apenas os erros. E uma dessas falhas cometidas por José Flávio Pinheiro Lima, foi ao acrescentar a cor vermelha ao uniforme do clube, não o fazer apenas na estrela, como previsto no estatuto e usado hoje, mas sim de uma forma que lembrasse o seu time de coração, o São Paulo,  Já chamado pelos descontentes  de matriz, sendo o Belo uma simples filial.

O que gregos e troianos e principalmente paraibanos não podem negar é que o nosso futebol é dividido em antes e depois da era José Flávio Pinheiro Lima, o pequeno grande homem, que transformou o nosso futebol da noite para o dia. Ele foi a alavanca propulsora que nos tirou do semiamadorismo e nos encaminhou ao profissionalismo que hoje vivenciamos.

Este artigo é dedicado a Rodolfo Pinheiro Lima, filho de José Flávio e também ex-presidente do Botafogo.


Francisco Di Lorenzo Serpa
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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Zezito: o atleta de Cristo!


Crônicas do Serpa


O jovem pernambucano José Máximo da Silva, conhecido por ZEZITO foi transferido das categorias de base do Santa Cruz do Recife para o Nacional de Patos e, ao se destacar no time sertanejo foi juntamente com o também pernambucano Lúcio Mauro transferido para o nosso querido Botafogo Futebol Clube, no longínquo ano de 1968.

E aquele lateral esquerdo chegou ao alvinegro da estrela vermelha para marcar e escrever o seu nome na história do clube mais vezes campeão do estado. No mesmo ano em que chegou assumiu a titularidade no time e sagrou-se campeão. No ano seguinte sagrou-se bi-campeão e foi coroado com o tri-campeonato em 1970.

Zezito fez parte de uma geração de jogadores que jogavam com amor e dedicação ao time, pois os recursos financeiros e as recompensas eram quase inexistentes.

O atleta em comento possuía uma dedicação extraordinária, um preparo físico acima da média da época e era conhecido por seu vigor físico em campo, pois com ele não havia bola perdida, dividia todas e quase sempre levava vantagem. Os adversários já entravam em campo sabendo da muralha que teriam de enfrentar. Muitos atacantes perdiam o sono na véspera de enfrentá-lo, em campo, pois para ele todo jogo era disputado como se fosse uma final de campeonato.

Quando a bola passava, o atacante ficava, dificilmente os dois - atacante e bola-, conseguiam ultrapassar aquele lateral. Em última hipótese, bola para o mato, pois o jogo era de campeonato, máxima existente na gíria da época.

Dentre as lembranças desse ex-atleta consta ter enfrentado o Santos do Rei Pelé, por duas vezes, principalmente no histórico jogo em que foi marcado o 999 gol do maior jogador de todos os tempos, no saudoso estádio Olímpico do Boi Só. Também marcou a sua vitoriosa carreira, o famoso Torneio Integração, ocorrido em 1972, no Estado de Goiás, aonde  o Botafogo fez uma excelente campanha, enfrentando os times revelações do país. E naquela competição, quando enfrentaram o Clube Náutico Capibaribe, do jovem e promissor Marinho Chagas, Zezito, mesmo em uma época em que poucos laterais atacavam, foi ao ataque e deixou a bola nas redes dos pernambucanos.

Zezito permaneceu no Botafogo por seis anos, de 68 a 73, sempre sendo o titular absoluto da lateral esquerda, nesse período só não jogou quando esteve machucado ou suspenso. Também fazia o papel de preparador físico, do clube, morando um bom tempo na própria concentração. Era muito amigo do saudoso Nininho, carinhosamente chamado de Fiapo de Ouro.

A prematura morte do companheiro, foi outro fato que deixou marcas na vida dele, dessa vez, não como uma boa lembrança, mas como um fato triste e lamentável, pois para ele Nininho era um grande amigo e um jogador de bastante futuro.

O nosso ex-atleta ainda jogou no Ferroviário de Fortaleza, no Riachuelo e no Força e Luz, os dois últimos da cidade de Natal-RN. Ao encerrar a sua carreira profissional, Zezito morou com a família na cidade do Rio de Janeiro.Depois retornou e fixou residência na cidade do Recife, passando a ter  uma vida desregrada, onde prevalecia uma contumaz bebedeira que por pouco não o destruiu  e à sua família; Zezito, já no fim do túnel, procurou ajuda em uma igreja cristã existente próximo de sua casa, foi acolhido, aconselhado e passou a frequentá-la, juntamente com a sua esposa.

Hoje, aos 66 anos de idade ele reside na cidade de João Pessoa onde diariamente é visto na orla marítima pregando a Bíblia, distribuindo CDs e DVDs com  testemunhos e passagens bíblicas. Também participa de projetos sociais, com distribuição de alimentos.

Recentemente, ele foi agraciado com o sorteio de uma casa em um condomínio do governo do estado, e para completar a sua felicidade, o seu companheiro da época do Botafogo, Valdo, também foi contemplado e serão vizinhos.

Ele é esse cidadão que diariamente percorre as praias da capital empurrando um carrinho de som, portando um chapéu e um paletó bem alinhados, com um sorriso manso e conversa agradável, sempre em busca da palavra de Deus.

Torcedor botafoguense, ao reconhecê-lo nas ruas de nossa arborizada cidade, pare, cumprimente-o, aperte-lhe a mão, pois ele suou e honrou muito a camisa meia dúzia do BELO!


Francisco Di Lorenzo Serpa
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O Belo calou o Maracanã!


Crônicas do Serpa


Sabemos que todo jogo possui a sua estória, e que nem sempre obtêm êxito o clube mais famoso, que possui maior torcida, o que joga em casa ou que tem maior e melhor plantel, etc. Futebol, como nos ensina os especialistas só se ganha dentro de campo, jogando com raça, determinação e conjunto. A seleção da Alemanha ratificou essa máxima na última copa, vencida aqui no nosso país.

Eu me atrevo a dizer, que na noite do dia seis de março de mil novecentos e oitenta (06-03-1980), no maior estádio do mundo, o Maracanã, o futebol não foi uma caixinha de surpresas e sim um enorme caixão de enorme surpresas.

Era jogo da primeira divisão do campeonato brasileiro, tendo de um lado o todo poderoso Clube de Regatas Flamengo, que tinha em seu destacado plantel estrelas como Zico, Paulo Cesar Carpegianni, Andade, Adílio, Raul, Tita, Nunes e outros mais. O seu técnico era o competente Claudio Coutinho, que havia dirigido a nossa seleção canarinho na copa da Argentina.

Aquele campeonato ao chegar ao seu final, foi conquistado justamente pelo Flamengo, em decisão memorável contra o Atlético Mineiro. Zico não só foi o artilheiro como também foi escolhido o melhor atleta da competição. O time carioca perdeu apenas dois jogos naquele campeonato.

Voltando ao jogo comentado, do outro lado do campo, estava um pequeno time do Nordeste, precisamente o Botafogo Futebol Clube da Paraíba. Logo, todo mundo pensou em jogo fácil, em goleada por parte dos cariocas, pois havia enorme diferença em tradição, títulos e principalmente em elenco.

O nosso Botafogo, naquela época era comandado pelo falecido técnico Francisco Barbosa Gomes, o Caiçara, como era conhecido aquele treinador que muitas alegrias deu ao time da Maravilha do Contorno. Caiçara, com a sua simplicidade e conhecimento do futebol, não determinou nenhuma marcação especial para Zico, ou outra estrela do time da Gávea. Ao contrário, mandou o time jogar o que sabia, sem se preocupar com o favoritismo do adversário, não armando retranca e jogando ofensivamente com as devidas e necessárias cautelas.

O mestre Caiçara, que já havia treinado o Botafogo em outras decisivas e importantes oportunidades, inclusive sendo o mentor do inesquecível título de 1968, quando a hegemonia do futebol retornou para a capital paraibana, tinha para aquele jogo um dos melhores times de sua existência. O Botafogo pisou o gramado do Maracanã com Hélio Show, Nonato Aires, Gerailton, Deca e Marquinhos. Nicássio, Mágno e Zé Eduardo. Getúlio, Evilásio e Soares. Era o seu terceiro jogo na competição, tinha empatado como o Confiança, de Aracajú, e vencido o Clube Náutico, do Recife.

O primeiro tempo terminou empatado em zero a zero. No segundo tempo, logo no início, o ponta Soares fez um a zero para a equipe paraibana. Aos vinte minutos, Tita empatou para os cariocas, e Zé Eduardo, aos 36 minutos fechou o placar, dando a vitória ao Belo.

A torcida do Mengo não acreditava no que presenciou. a imprensa do sul falava em zebra, apesar dos elogios ao time nordestino. A minúscula torcida do Belo que compareceu ao maraca não parava de gritar. 

Escutei aquele histórico jogo ouvindo a Rádio Tabajara, com a espetacular narração de Eudes Moacir Toscano, que nos trazia em tempo real as emoções da partida e interagia com a pequena torcida do Belo que esteve presente ao jogo.

Fora a extraordinária vitória conquistada, um outro fato chamou bastante a atenção de todos. O uniforme do Belo, naquela noite, era idêntico ao do congênere do rio, com o detalhe de não portar o escudo. Várias versões existem sobre esse detalhe, uma é a de que o clube viajou e esqueceu de levar o seu material de jogo e teve que comprara às pressas em uma loja carioca, de propriedade de Nilton Santos, bi campeão mundial.

A outra, mais plausível, é a de que Alvaro Magliano, então presidente do clube, teria sido procurado por João Saldanha, que pediu para o time não usar o padrão todo branco, usual na época, e enfrentar o Flamengo com o uniforme idêntico ao do Botafogo carioca, o seu time de coração.

E para coroar aquele time, onde a bola era tratada não como um instrumento de trabalho, mas com um carinho especial, deslizando com a maestria de um meio de campo formado por Nicássio, Magno e Zé Eduardo, a Revista Placar nos brindou com um poster com a seguinte frase: Botafogo da Paraíba - Matador de Tri-campeões.

Esta crônica é dedicada ao Técnico Marcelo Vilar, um estrategista atual que começou a carreira trabalhando com o saudoso e vitorioso Caiçara.  


Francisco Di Lorenzo Serpa
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falserpa@oi.com.br

sábado, 1 de novembro de 2014

O "Dono do Time"


Crônicas do Serpa


Quem possui mais de cinquenta anos de idade, e gosta de futebol sabe que antigamente em nossa capital, em todos os bairros, existiam os badalados times amadores, agremiações essas que alimentavam os nossos times profissionais, fornecendo os seus melhores valores, através do antigo passe, muitas vezes trocado por vários pares de chuteiras.

No bairro de Cruz das Armas, tinha o excelente esquadrão da Portuguesa, em Mandacarú existia o Jangadeiro, na Torre, o Ibis, em Jaguaribe tinha o ABC, no Róger, funcionava o Guarani, nos Expedicionários a temível Portuguesa, e outros como o 5 de Agosto, Estrela do Mar,  o Felipéia, o Palmares, o Palmeiras a  Ponte Preta e tantos outros que a memória no momento não lembra onde funcionavam as respectivas sedes.

Eram times organizados, com padrões, sede, estatutos e devidamente registrados no Departamento Amador da nossa Federação Paraibana de Futebol, mantidos por amigos, políticos e benfeitores, uns até chegando a possuir quadro de sócios, com carteirinha e tudo mais.

Agora, todos esses times possuíam uma coisa em comum. Era o que chamávamos de “Dono do Time”, eram os abnegados cidadãos que faziam tudo e mais alguma coisa, para ver o time em campo. Eles faziam de suas casas, a sede do clube. Nas suas dependências eles guardavam  a documentação e os padrões da agremiação. Eram eles que levavam todo o material esportivo para o campo: camisas, calções, meias, chuteiras, apitos e bomba para encher as bolas. Levavam água,  gelo e laranjas para os seus atletas. Éter, pomada iodex, iodo, mercúrio cromo, gases e esparadrapos em uma improvisada mala de primeiros socorros, também era missão para os “Donos do Time”. Uma cena comum naquela época era você passar em frente da casa deles e ver o padrão do time estirado no varal, secando, para ser usado no próximo jogo. Eles compravam sebo de carneiro, na feira, e passavam nos pontos e no couro das antigas e saudosas bolas de couro, depois as colocavam no sol.

A dedicação desses senhores era tão grande, que os seus nomes foram com o tempo, incorporados e passaram a ser uma espécie de sobrenome do time. Era assim que chamávamos os clubes, por exemplo,  o Ibis de Dimas Medeiros, o Jangadeiro de Seu Leite, o Guarani de Cabeção, o ABC de Abel, a Portuguesa de Inaldo. Até mesmo agremiações que disputaram o campeonato profissional, como o Santos e o União, ficaram conhecidos e batizados usando os nomes de seus “Donos” como “Santos de Tereré”, e o “União de Seu Costeira”.

Pois bem, o que muita gente não sabe, é que um clube como o Botafogo da Paraíba, do alto de seus 83 anos de conquistas e glórias, portando troféu de campeão brasileiro,  também possui um “Dono”. Isso mesmo que você acabou de ler, o nosso Belo tem um cidadão com as mesmas características e dedicação acima citadas.

Ele, de pés juntos, me jurou ter apenas 60 anos, o que não me convenceu por hipótese alguma. Os exagerados falam que ele assinou a ata de fundação do clube, outros comentam, com ironia, que ele brincou de bola de gude com Beraldo de Oliveira, fundador e primeiro presidente do Botafogo. 

Deixando as especulações de lado, esse abnegado torcedor carinhosamente chamado de “Dono do Time”, direta ou indiretamente possui a sua vida interligada com a do clube, desde a metade da década de 60, do século passado, período em que residiu próximo do antigo campo de Pedro Gondim, onde hoje funciona o Espaço Cultural, antiga sede do Belo. Ali surgiu a sua paixão, assistindo aos treinos do time, que o levou a nunca mais se separar do alvinegro, que passou a ser posteriormente chamado de tricolor e, por último, voltou a ser alvinegro da estrela vermelha.

Aquele garoto que admirava os dribles de Nininho, e que chorou a sua prematura morte, foi crescendo nas arquibancadas do campo da Graça, do Olímpico do Boi Só e por último frequenta o Almeidão, desde a sua inauguração, sempre prestigiando o seu time, colaborando como sócio, como Conselheiro e finalmente como Presidente. Em 1991, ele teve o prazer de exercer o cargo de Presidente da Diretoria Executiva do clube. Ele sempre esteve presente, nas vacas gordas e principalmente nas magras, com ideias, desprendimento e dedicação.

Claro que, por estar presente durante esse tempo todo, sempre colaborando com os dirigentes do clube, discutindo e divergindo quando necessário, o “Dono do Time” conseguiu inúmeros amigos, e, como não poderia deixar de ser, algumas inimizades, essas últimas sempre resolvidas com o diálogo.

É ele quem possui o maior acervo do clube, de jornais, fotografias, documentos, artigos, recortes de revistas, bandeiras, súmulas, livros, faixas, vídeos, CDs etc. De antemão, caro leitor, eu lhe previno, não empreste a ele nada relacionado ao Botafogo-PB, pois ele criou uma lei de usucapião e nunca mais lhe devolve. Não adianta espernear, pedir, etc. Nunca mais você receberá de volta o seu material.

E todo mundo aguarda, ansiosamente, a publicação de seu livro, com dois excelentes volumes, que tive o prazer de dar uma rápida folheada, contando a história do “Seu Time”, que batizei de Velho e Novo Testamento do Belo, tamanha é a sua abrangência histórica, metodológica e cronológica.

O leitor já sabe de quem estou falando, claro, de Raimundo de Gouveia Nóbrega Filho, o popular “Dono do Botafogo-PB”.


Francisco Di Lorenzo Serpa
Membro da API, UBE e APP
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Uma família literalmente Botafoguense.


Crônicas do Serpa


Na década de cinquenta, chegou um atleta para vestir a camisa do Botafogo da Paraíba com o apelido de “Pedro Neguinho”, um atacante muito veloz, inteligente e com bastante faro de gol. Logo, esse ponta de lança e também centroavante tornou-se um dos artilheiros do clube e do estado.

Pedro Batista da Silva era o seu nome de batismo, porém, foi com o carinhoso apelido de “Pedro Neguinho”, que ele formou um time inesquecível, junto com os craques Berto, Prince, Kleber Bonates, Marajó, Gonzaga e Bola Sete, sendo este último seu companheiro nas belíssimas jogadas que normalmente terminavam com a bola no fundo das redes. Pedro Neguinho e Bola Sete, naquela época, eram sinônimos de gol, e vários times do nordeste almejavam contratá-los.

O que Pedro Batista da Silva não sabia, era que do seu casamento com Maria do Socorro Carvalho e Silva nasceriam dois filhos, que seguiriam o mesmo caminho do pai, sendo grandes jogadores de futebol e revelados no Botafogo paraibano e posteriormente transferidos para grandes clubes do País.

Primeiro, surgiu o filho Marcos Batista da Silva, conhecido por “Marquinhos”. Um lateral esquerdo bastante habilidoso, que quando estava de posse da bola ninguém conseguia tomá-la, salvo cometendo deslealdade. Ele chegou ao Belo em 1979, assumiu a titularidade da lateral esquerda e fez parte daquele inesquecível time que tinha Nicácio, Magno e Zé Eduardo no meio de campo, lembra? Isso, aquele que derrotou o Flamengo dentro do Maracanã e foi denominado de “Matador de Tricampeão”, pela famosa Revista Placar.

Ao deixar o nosso estado, Marquinhos foi vestir a camisa rubro-negra do Vitória, da Bahia, alvirrubra, do Bangú, do Rio de Janeiro e a do Clube Náutico Capibaribe, em Recife. Em todas essas agremiações ele conseguiu se destacar.

Depois veio o segundo craque e filho de Pedro Neguinho, batizado de José Alberto Batista Silva, conhecido por “Zito”, que jogava na lateral direita e de zagueiro central, também sendo revelado com a camisa do Botafogo da Paraíba. Zito chegou ao Belo no mesmo ano do seu irmão Marquinhos, mas por ser mais jovem, teve que primeiro ingressar nas categorias de base do clube.

Depois que se firmou no elenco profissional do clube, “Zito” logo se destacou e foi jogar em outros estados, em agremiações como o Santa Cruz, do Recife, Rio Verde, de Goiás, Central, de Caruaru. Ele participou e foi destaque daquela heroica e exitosa excursão do Belo em terras europeias, onde jogaram dez vezes, ganharam quatro, empataram três e perderam três, junto com os craques Carlos Roberto, Walmir, Carioca, Carlinhos Mocotó e Zé Roberto, sob o comando do inteligente técnico Erandir Montenegro.

Hoje, aposentados do futebol, os dois filhos de “Pedro Neguinho” residem na cidade de João Pessoa. Quando eles têm uma oportunidade, apanham os recortes de jornais do passado e relembram os bons tempos com a camisa do Botafogo, e, com bastante saudade, as mensagens e ensinamentos que foram repassados pelo finado pai.

“Pedro Neguinho” foi uma árvore que resultou em bons frutos, e a sua família pode ser considerada como uma “família literalmente Botafoguense”. Quem sabe se ainda não vai aparecer dessa árvore um neto, ou um bisneto, vestindo a camisa do Belo?
O futebol da Paraíba iria agradecer muito!


Francisco Di Lorenzo Serpa
Membro da API, UBE e APP
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TIMEMANIA - APOSTE NO BOTAFOGO-PB COMO O TIME DO CORAÇÃO!


TIMEMANIA - Marque o Botafogo-PB como seu time do coração!!!